quinta-feira, 22 de maio de 2014

Resenha Combo: O diabo veste Prada & A vingança veste Prada: o Diabo está de volta, Lauren Weisberger, Record

"O diabo veste Prada", estrelado por Meryl Streep (como sempre, arrasando na interpretação), Anne Hathaway e Emily Blunt, é provavelmente o filme que eu mais assisti na minha vida. Não é um clássico, um filmaço mas, vamos lá, é muito divertido e tem a Meryl Streep! Ponto. O filme foi lançado em 2006 e é baseado no livro homônimo da autora Lauren Weisberger.

E após assistir pela milésima vez o filme resolvi que neste ano leria o livro. Aproveitei o fato de que finalmente saiu a tão aguardada continuação - que demorou 10 anos para ser lançada! - para ler os dois em sequência. Vamos começar falando do primeiro livro.

Sinopse: Lauren Weisberger trabalhou como assistente da todo-poderosa-amada-e-odiada editora da revista Vogue, Anna Wintour. Assim, qualquer semelhança de O DIABO VESTE PRADA com a realidade não é mera coincidência. Neste irresistí­vel romance, o leitor irá conhecer Andrea Sachs, uma jovem recém-formada que conquista um emprego que deveria deixar roxas de inveja milhares de garotas: o de assistente de Miranda Priestly, reverenciada editora da revista Runway Magazine, a mais bem-sucedida revista de moda do momento. Logo ela percebe, porém, que o emprego pelo qual um milhão de meninas dariam a vida para ter pode simplesmente acabar com a dela.
De uma hora para outra, a jovem jornalista se vê num escritório onde as palavras Prada, Armani e Versace são lei e começa a conviver de perto com o fascinante mundo da moda. Fascinante, mas nem tão glamouroso assim. Ela logo percebe que, em lugar de escrever reportagens e editoriais de moda, seu trabalho na Runway será o de atender aos caprichos da chefe: Andrea precisa buscar as roupas de Miranda na lavanderia, ir à caça de baby-sitters para seus filhos, localizar do escritório em Nova York o paradeiro do motorista que deixou Miranda tomando chuva numa esquina de Paris e providenciar rapidamente a solução para pedidos os mais mirabolantes. Miranda é a personificação do pesadelo para Andrea.
Fonte: http://www.skoob.com.br/livro/790-o-diabo-veste-prada
São notáveis as grandes diferenças entre o livro e o filme. Muitos detalhes foram cortados da película e outros simplesmente mudados. A Andy do livro parece muito mais interessante, madura e cheia de personalidade. Posso falar o mesmo sobre seu namorado e sua melhor amiga. Miranda é muito mais diabólica, também, e é simplesmente impossível não odiá-la com todas as forças de seu ser.

O livro é considerado um chick-lit (clique aqui para mais informações sobre o que vem a ser esse gênero literário), e tem todas as características do gênero: é um livro leve, divertido, charmoso e que mostra bem como é a vida de nós, mulheres modernas, em meio a esse mundo louco que nos enche de cobranças o tempo todo. Mas, mais do que apenas mais um livrinho divertido, eu acho que "O diabo veste Prada" pode, sim, ser levado a sério. Ele não deixa de ser uma crítica às relações no trabalho, aos workholics, à indústria da moda, à efemeridade das relacionamentos entre celebridades, ao próprio culto às celebridades e, é claro, à figura do(a) chefe autoritário e manipulador. 

A leitura flui bem, embora ache que Weisberger tenha enchido linguiça mais do que deveria. Detalhes demais sobre certas coisas que não têm nenhuma importância para a estória são recorrentes na narrativa. Mas isso não diminuiu a minha vontade de ler o livro. Acho que fiquei empolgada com as diferenças entre ele e o filme e a curiosidade foi ao limite porque tudo a seguir poderia ser uma novidade. Ou seja, era uma estória que eu já conhecia - mas não conhecia de verdade.

E o final do livro foi uma ótima surpresa! Bem diferente da cena no cinema, e muito mais interessante e divertida - porque não dizer, até mesmo surpreendente -, é exatamente aquilo que você deseja que aconteça durante toda a leitura. Afinal de contas a Andy sofre tanta pressão na Runway que, quando ela consegue relaxar, o leitor finalmente relaxa também. Um milhão de garotas podem se matar para desejar esse emprego, mas, acredite, depois que ler esse livro você certamente não será uma delas.

Nota:




A expressão facial e corporal da Meryl Streep como Miranda Priestly é uma amostra da sua genialidade como atriz. Fantástica!

Apesar de ser diferente fisicamente da Andy do livro, o papel era perfeito para Anne Hathaway, que mandou muito bem na atuação.


Depois de um longo e tenebroso inverno, Weisberger lança "A vingança veste Prada". E como toda continuação que demora muito para ser lançada, foi ansiosamente aguardada por muitos fãs do primeiro livro - e do filme, é claro, que fez e continua fazendo muito sucesso. E é lógico que todos devem ter pensado: vai ser muito bom, a autora está caprichando. Que triste decepção!


Sinopse: Depois de abandonar o emprego na Runaway há quase dez anos e se livrar da insuportável Miranda Priestly, Andrea Sachs agora é a bem-sucedida editora de uma revista de luxo sobre casamentos, a Plunge. Ao lado de Emily, antiga colega de trabalho e sua atual melhor amiga, sua vida não poderia estará melhor: além do sucesso do novo empreendimento, ela está prestes a casar com um dos solteiros mais cobiçados de Nova York. Mas uma semana antes do casamento, um fantasma do passado, ou melhor, um diabo, volta a assombrá-la. 
Fonte: http://www.skoob.com.br/livro/246812-a-vinganca-veste-prada-o-demonio-esta-d


Vai soar absurdo o que vou dizer sobre um livro que demorou 10 anos para ser lançado, mas é a verdade: parece que a autora escreveu "A vingança veste Prada: o Diabo está de volta" às pressas. De qualquer jeito. E isso ficou bem claro à medida que eu descobria erros de continuação na obra. Erros que qualquer autor iniciante toma o maior cuidado para não acontecer. Aliás, revisores e editores existem para que coisas assim não aconteçam, certo? O pior de tudo é constatar que esses erros foram, talvez, intencionais - já que o segundo livro é muito mais uma continuação do filme do que do livro e mantém aquilo que foi mudado no cinema. Na minha opinião, isso simplesmente é um absurdo. 

A Andy do primeiro livro que, no final, mostrou que era uma mulher MUITO forte e que tinha objetivos muito mais elevados do que escrever sobre o fugaz mundo da moda e do glamour é totalmente diferente dessa Andy mais velha, que é praticamente uma perua que está mais preocupada com luxo e ostentação do que em fazer jornalismo de verdade.

O cara com que ela casa é um babaca. O tipo de babaca com quem a Andy mais jovem não casaria. Ou melhor - nem namoraria. Ou seja, ao invés de amadurecer ela retrocedeu. A Emily continua tão chata quanto no primeiro livro. E a amizade delas é um tanto quanto falsa. Não, isso não é spoiler. É só uma impressão.

E se a autora encheu linguiça no primeiro livro, neste aqui ela encheu cinco vezes mais. Detalhes idiotas sobre coisas que você não quer saber preenchem páginas e mais páginas. A leitura quase não flui em determinadas partes. 

O Diabo da história - Miranda Priestly - quase não aparece. Como a personagem-chave da estória quase não dá as caras? Eu fiquei quase revoltada com isso. Além disso, se você decidir se aventurar pelas páginas de "A vingança", vai descobrir ao final da leitura que o título do livro deveria ser outro. Eu preferiria não ter lido o segundo livro e poder imaginar uma Andy diferente no futuro. Por isso, não recomendo a leitura - a menos que você tenha muita curiosidade e seja muito fã da estória.

Nota:



Uma ótima leitura para você!