sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Resenha: X-Men – Deus ama, o homem mata, Chris Claremont & Brent Anderson, Panini Comics (Marvel Comics)

País de Origem: EUA
Ano de Publicação: 1982
Ano da edição brasileira atual: 2003
Tradução: Jotapê Martins & Élcio de Carvalho
Nº de páginas: 68
Edições Incluídas: Marvel Graphic Novel #5

Sinopse: O Professor Charles Xavier e seus pupilos, Ciclope, Tempestade, Wolverine, Noturno, Kitty Pryde e Colossus, os X-Men, entram na mira do fanático pastor William Stryker, um influente religioso que considera os mutantes uma cria diabólica e uma afronta contra Deus e Sua Criação. Seja com suas palavras, seja com sua milícia assassina de mutantes, os Purificadores, Stryker quer guerra e até Magneto se unirá aos X-Men nesse confronto feroz combatido não só com punhos, mas com palavras e sentimentos.



MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA


Chris Claremont é aclamado por muitos como tendo sido o melhor escritor dos X-Men. E não é por menos. As melhores histórias dos mutantes foram escritas por ele (‘A saga da Fênix Negra’ e ‘Dias de um futuro esquecido’, por exemplo). ‘Deus ama, o homem mata’ também integra o rol desses grandes clássicos, além de ser um dos quadrinhos de super-heróis com maior carga social e política que já li na vida. Quem é fã da escola do professor Xavier, ou quem é apenas mais atento às nuances dos contextos das HQs sabe que os mutantes da Marvel são uma grande e bela metáfora para as minorias em geral.

Nesta HQ esse fato fica ainda mais pronunciado, visto que no enredo há um pastor protestante fanático que tenta influenciar a população dos EUA com seu discurso de ódio contra os mutantes. Qualquer semelhança com os religiosos extremistas brasileiros e seu racismo, machismo e homofobia não é mera coincidência. Em apenas 68 páginas Claremont cria uma história extremamente adulta, madura, relevante e atemporal. O medo e o ódio pelo diferente, o velho discurso de que “eles são uma ameaça à nossa nação e às nossas famílias” (mais uma vez, semelhante ao discurso de cunho religioso de proteger a família tradicional brasileira dos gays) e a forma com que o pastor manipula a opinião pública com jogadas políticas escusas e utilizando tom e ações truculentas são bastante realistas e verossímeis, em muitos momentos.

Mas devo ressaltar que se trata de uma HQ de super-heróis da Marvel, ou seja, há batalhas, momentos divertidos que servem como alívio para o tom sério do quadrinho – que ao contrário do que pode parecer não é de forma alguma panfletário. E nisso o autor também acerta em cheio. É uma leitura extremamente rápida e interessante, divertida e com conteúdo. São 68 páginas de ouro puro.


DESENHOS


Os desenhos são de Brent Anderson, e eu não me lembro de já ter conferido o trabalho desse artista antes. Mas a arte é datada, porém boa, estilo anos 80 – que eu adoro – e a cara dos X-Men daquela época. Confira abaixo uma amostra.


 




VEREDITO


Esta é uma das melhores HQs dos X-Men, com certeza. Relevante, atemporal e divertida, apesar da arte “datada” dos anos 80 – que não é ruim, veja bem – vale cada segundo de leitura. Obrigatório para fãs da escola de mutantes do professor Xavier e para quem curte boas histórias em geral.

Recomendadíssima!

Nota:
5/5