quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Resenha: Alex + Ada (série completa), Jonathan Luna & Sarah Vaughn, Image Comics

País de Origem: EUA
Período de publicação: 2014 a junho de 2015
Ano da edição brasileira atual: inédita no Brasil
Tradução: Diego Kuririn (Guardiões do Globo)
Edições Incluídas: Alex + Ada #1 a #15
Série: Alex + Ada

Sinopse: A série apresenta Alex, um jovem que ainda está sofrendo após sua noiva romper com ele. Ele passa muito do seu tempo deprimido e vivendo as mesmas rotinas sem fazer muito esforço para mudar. Cansada de vê-lo infeliz, a avó de Alex envia para ele Ada, uma androide Tanaka X-5 que é a forma mais recente e avançada de robôs para companhia, com capacidade para interação humana inteligente. O robô inicialmente não possui autoconsciência, já que cada androide tem um programa que bloqueia qualquer pensamento livre potencial ou consciência. Então Alex decide remover esse programa e conceder a Ada sua própria liberdade mental, visto que não tem interesse em uma parceira que não pode realmente interagir com ele e ter livre-arbítrio.
Fonte: traduzido e adaptado livremente de https://en.wikipedia.org/wiki/Alex_%2B_Ada



MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA


Esta é a segunda série da Image Comics que leio até o fim (embora ‘Saga’, que também estou lendo, ainda não tenha terminado) e a cada dia que passa me surpreendo mais com a qualidade dos títulos da editora. ‘Alex + Ada’ é uma ficção científica que bebe nas fontes dos filmes ‘Her’ (2013) de Spike Jonze e ‘Blade Runner’ (1982) de Ridley Scott – duas obras que estão na minha lista de favoritos de todos os tempos. Sou apaixonada por ficção científica, e quando vi a sinopse de ‘Alex + Ada’ no site Guardiões do Globo (que realiza o maravilhoso trabalho de traduzir e disponibilizar para nós do Brasil séries da Image que não saíram e provavelmente jamais sairão aqui pelas editoras) foi amor à primeira vista.

A história se passa em um futuro não tão distante, mas cuja tecnologia chegou ao ponto de produzir androides extremamente parecidos com seres humanos que podem ser comprados por U$ 1,8 milhão e se tornar amantes, amigos e empregados de seus donos. Nesse futuro, comunicadores implantados na cabeça dos usuários permitem que eles façam chamadas mentais e naveguem na internet apenas com a força do pensamento (leia ‘Muito além do nosso eu’, do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis e veja que isso pode ser possível no futuro). Alex é um cara que tem a vida mais sem graça do mundo: acorda, toma o seu café assistindo ao noticiário, vai ao trabalho, volta para casa, vê TV e dorme, para depois recomeçar tudo de novo. Aliás, uma vida muito parecida com a que quase todos nós levamos nessa sociedade moderna.

 Alex está sozinho e deprimido depois de sua noiva ter rompido com ele, e para animá-lo sua avó resolve presenteá-lo com um androide feminino e atraente: Ada. E ao longo de toda a série foram surgindo vários questionamentos na cabeça de Alex e na minha também, sobre o que faz com que alguém seja considerado um ser humano; se um dia chegarmos a construir máquinas dotadas de excepcional inteligência artificial, se teremos o direito de limitar suas liberdades; qual será o futuro da robótica e da comunicação e se estamos preferindo interações e relacionamentos virtuais a reais. Dois outros excepcionais filmes que suscitam alguns desses questionamentos são ‘O homem bicentenário’ (1999) de Chris Columbus e ‘Ex Machina’ (2015) de Alex Garland.

A leitura dessa minissérie flui muito bem, é rápida e prende a atenção do começo ao fim, com reviravoltas inesperadas e outras nem tanto. Apesar da profundidade filosófica os diálogos são rápidos e simples e o ambiente é bem construído, passando verossimilhança para o leitor com elementos com os quais ele pode se identificar: apesar de a história se passar em um futuro ultratecnológico, muita coisa se parece com a nossa vida moderna. O elemento romance é forte no quadrinho (afinal de contas, seu nome é Alex mais Ada), mas se o leitor quer apenas uma boa ficção científica, terá isso nesta obra.


DESENHOS


Confesso que a arte de Jonathan Luna não é o melhor elemento da minissérie. Eu nunca tinha lido nada com uma arte tão simples quanto esta. No entanto a arte não atrapalha em anda a experiência de leitura, visto que os traços muito retos, as cores claras e discretas e o estilo minimalista conseguem transmitir para o leitor, e muito bem, o ambiente “esterilizado” que é a sociedade da história e a própria vida do Alex.

 





VEREDITO


Uma série bem escrita, de leitura rápida e com uma profundidade simples mas reveladora, recomendada para quem curte ficção científica e prefere uma boa história a uma arte espetacular. Boa também para quem quer começar a ler quadrinhos, pois tem uma linguagem acessível e um enredo que chama a atenção.

Recomendada!

Nota:
4/5

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