sábado, 19 de setembro de 2015

Resenha: Berserk Vol. 1, Kentaro Miura, Panini Comics (Hakusensha)

País de Origem: Japão
Ano de Publicação: 1990
Ano da edição brasileira atual: 2014
Tradução: Drik Sada
Nº de páginas: 226
Edições originais incluídas: #1 O espadachim negro, #2 O estigma e #3 O anjo da guarda da perdição parte 1
Coleção: Berserk Edição Definitiva
Demografia: Seinen

Sinopse: Guts carrega consigo um arsenal de armas, mas o que se destaca dentre elas é sua enorme espada, capaz de cortar um cavalo ao meio. Apesar de seu armamento, o maior peso que ele carrega é o “estigma”, uma marca em seu pescoço que atrai todo o tipo de espíritos malignos e demônios.
Ao lado do pequeno elfo Puck, que o conheceu em uma de suas lutas (apesar de não parecer ser uma amizade mútua), Guts sai em batalhas contra criaturas malignas em busca de vingança, a princípio matando os denominados apóstolos.



MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA


Maldita distribuição setorizada da Panini! Perdoe-me pelo desabafo, mas eu precisava fazê-lo. Passei meses, e não foram poucos, esperando Berserk chegar às bancas da minha cidade, e chegaram apenas os dois primeiros volumes – sem garantia de que os outros venham. Essa espera, no entanto, aumentou a minha ansiedade em ler a obra, cujo relançamento no Brasil foi comentado à exaustão nos sites e canais do Youtube especializados em quadrinhos. Também acumulei altas expectativas, porque ‘Berserk’ quase sempre figura nas listas de melhores mangás da demografia seinen (para adultos) e até de melhores mangás de todos os tempos.

Esta é uma história de fantasia medieval, e conta a história de Guts, um cara sombrio e solitário que usa uma capa, tem um braço mecânico e anda fortemente armado, caçando demônios e deixando um rastro de destruição por onde passa. Neste primeiro volume o autor não explica quem exatamente é Guts, de onde ele veio e qual é o seu objetivo. A história começa com ele chegando a um feudo para matar um demônio que adquiriu forma humana e se tornou o sangrento senhor do lugar. No caminho até lá ele conhece Puck, um elfo (pequeno como uma fada e nada parecido com os belos elfos de ‘O Senhor dos Anéis’) que passa a segui-lo, apesar de Guts se “lixar” para ele. Fica muito claro, desde o começo, que nosso berserk é um cara muito frio e solitário, que dá pouco valor à vida alheia e resolve todos os seus problemas com a gigantesca – sem exageros – espada que carrega consigo.

berserk
ber.serk
n guerreiro nórdico que luta com furor frenético. adj frenético, furioso. berserk rage / raiva frenética.

O mangá é extremamente adulto, recheado de violência (detalhada) e chega a conter uma cena de sexo neste volume. A complexidade da personalidade de Guts fica muito clara desde o princípio, e o roteiro não dá explicações bobas e mastigadas para o leitor – o que é muito bom. Dá para “sacar” que haverá um maior desenvolvimento dos personagens e explicações ao longo da série. O clima bastante sombrio e adulto é contrabalanceado com as cenas cômicas do elfo Puck, mas esses momentos de humor podem não agradar a alguns leitores. No entanto, a ação ocorre quase o tempo todo neste volume, o que não deixa espaço para tédio na hora da leitura.  


DESENHOS


Os traços do artista combinam bastante com a história. No entanto, a qualidade dos desenhos de Kentaro Miura não é linear. Em alguns momentos ele desenha quadros incríveis com bastante detalhamento e um eficiente jogo de sombras. Em outros os traços revelam certa pressa por parte do mangaká, pois os detalhes são “pobres” e os traços chegam a ser feios. Mas, é preciso ressaltar, no geral a arte do mangá é muito boa e, dizem por aí, evolui muito ao longo dos próximos volumes.  





VEREDITO


‘Berserk’ é recomendado para quem gosta de fantasia e tem o estômago forte, não sendo recomendado para menores de 18 anos. O primeiro volume é sombrio, mas diverte bastante e possui uma arte que combina totalmente com a história. Com um protagonista misterioso e intrigante, deixa uma vontade de ler em seguida os próximos volumes, que parecem prometer muito em termos de desenvolvimento da narrativa e da qualidade da arte do mangaká.

Leitura recomendada!

Nota:
4/5