quinta-feira, 24 de abril de 2014

Resenha: Will & Will: um nome, um destino, John Green & David Levithan, Galera Record

Acho que eu, definitivamente, estou ficando velha. Explico. Na altura dos meus 22 anos, resolvi ler um YA (Young Adult, ou Jovens Adultos), que é um gênero que está no auge de sua popularidade, pelo que tenho visto por aí. E resolvi ler algo de um autor que está sendo aclamado pelo público jovem, Mr. John Green. Nesse livro ele fez parceria com o David Levithan (autor do também Best-Seller “Todo Dia”, que li este ano e em breve resenharei). Bom, até aí tudo bem. Quer dizer, até chegar em mais ou menos 20% da leitura do livro, tudo bem. Porque daí em diante, foi só ladeira abaixo.

Sinopse: Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra... Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome e a dor do coração partido. Um Will é amigo do mais expansivo gay de sua escola. O outro precisa explicar à própria mãe sua orientação sexual. Até que Tiny, o melhor amigo gay do primeiro Will, acaba se tornando o possível amor do outro Will. Apesar das origens completamente diferentes, esses inesperados encontros fazem com que os meninos de mesmo nome estejam prestes a embarcar juntos em uma aventura de épicas proporções. Amor adolescente, intriga, raiva, sofrimento e amizade. Tudo isso temperado com doses maciças de comédia.
Fonte: http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=26771

O grande problema na minha experiência de leitura com essa obra foi que eu esperei demais dela. A decepção foi proporcional às expectativas. Talvez eu não tenha lido a sinopse com a devida atenção, ou talvez simplesmente tenha entendido tudo errado. O fato é que eu não gostei de absolutamente nada nesse livro: história, formato do enredo, personagens, construção e final.

Tiny, que na minha opinião é o verdadeiro protagonista da história, é o "menos pior" dos personagens, visto que me rendeu até algumas boas risadas. But, sorry, não foram suficientes para amenizar minha decepção. Acho que a escrita do Levithan (que não é ruim, diga-se de passagem, pois o já mencionado "Todo dia" é gostoso de ler) não casa com a escrita do John. Não só por serem completamente diferentes, já que o John escreve de uma forma mais alegre, descontraída, adolescente mesmo - e talvez seja essa a explicação de seu incrível sucesso junto à molecada - e o Levithan é mais lúgubre, adulto, sério. Mas o tênue fio que deveria amarrar uma história escrita por duas pessoas completamente diferentes rompeu-se em algum momento da obra, momento esse que eu não sei apontar. A impressão é que os dois sentaram e combinaram de escrever esse livro em duas semanas e publicá-lo assim mesmo, para ver no que ia dar. Não estou afirmando que aconteceu isso, mas a história deixa um amargo gosto de 'inacabado' na boca.

Os dois Will Grayson que DEVERIAM ser os protagonistas aqui - a cena é roubada pelo Tiny - são rasos, bobos até, e confusos. Claro, sei que adolescentes são confusos (não se esqueçam que não faz muito tempo que fui uma), mas não falo desse tipo de confusão adolescente. Falo daquele tipo de confusão idiota que aflige algumas pessoas que não sabem para onde estão indo (e para elas qualquer lugar serve). Pessoas sem conteúdo emocional, tão complexas quanto o cérebro de um mosquito (obrigada, Régis Tadeu). Aliás, não são só eles dois não. TODOS os personagens do livro são bobões. E não acho isso perdoável em um YA, porque quero acreditar que os jovens de hoje não são tão sem personalidade quanto os jovens dessa história.

A história foi acontecendo e eu, não sei porque diabos, decidi terminá-la. Aliás, cabe um post no futuro breve sobre leituras abandonadas. Acho que quis terminar o livro por pura curiosidade: será que teria um final espetacular que faria valer à pena aquela encheção de linguiça? Infelizmente não foi o que aconteceu. Um final à la High School Music e Glee me deixou desalentada. "Por que raios fui perder tempo lendo esse livro?", me perguntei. Tenho quase 700 livros no meu Kobo e mais alguns na estante e outros tantos por aí, esperando para serem devorados, e lá fui eu ler Will & Will. Mas tudo bem, acredito que todas as experiências de leitura são válidas. Perdoem-me os que gostaram da obra, mas infelizmente não tenho um só elogio para fazer em relação a ela. Os fãs de John Green que me perdoem, e talvez eu um dia dê chance a algum outro livro dele (tenho todos no Kobo), mas por ora não. Seu estilo de escrita não me conquistou. Talvez os outros sejam bem diferentes que esse. Aliás, assim espero. Em relação ao Levithan, gosto da escrita dele. Se aparecerem outros livros dele, lerei sem problemas.

Na verdade, no fim das contas, acho que eu li esse livro na idade errada. Talvez, se eu tivesse uns 14 anos, adoraria ele. Ou não. Afinal de contas, com 14 anos eu lia José Saramago. Não estou querendo diminuir o John Green, não. Mas é que gosto de escritas mais cheias de nuances, com profundidade e histórias realmente inovadoras. E isso, pelo menos, não tem em Will & Will. Não recomendo!

Nota:


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Até a próxima!