terça-feira, 15 de abril de 2014

Resenha: Deus não é grande, Christopher Hitchens, Ediouro

Um livro que me chamou a atenção pela capa, e, sobretudo, por título e subtítulo ousados. Não conhecia Christopher Hitchens até me deparar com esse livro na Leitura, em um shopping do Rio. Estava com um um pé e meio no ateísmo e fazia tempo que não lia sobre o assunto. E esse livro "matou" dentro de mim, definitivamente, a crença em um deus cristão.

Sinopse: Deus não criou à sua imagem, foi o contrário. A partir desta afirmação o jornalista e escritor Christopher Hitchens ataca os alicerces de um dos mais importantes princípios da civilização ocidental - a religião. Questionador e de estilo incisivo, o autor põe em dúvida até o mais beato dos fiéis, mostra por que nenhuma religião oferece uma resposta satisfatória a vários questionamentos e porque a profusão de deuses e religiões tanto tem adiado o desenvolvimento da civilização. 
Fonte: http://www.ediouro.com.br/novo/livro/deus-nao-e-grande

Devo destacar que a resenha não faz jus ao livro. Aliás, a obra merecia uma resenha muito melhor, mais representativa. Hitchens, ao lado de Richard Dawkins, Daniel Dennet e Sam Harris, são considerados os quatro cavaleiros do ateísmo, já que lançaram obras influentes e importantes sobre o tema e, cada um com seu próprio estilo, são incisivos e deixam os religiosos de 'cabelo em pé' com seus excelentes argumentos. Dos quatro Hitchens era (o autor faleceu em 2011, devido a um câncer) o mais ácido, irônico e provocador. Jornalista respeitado em todo o mundo, era um excelente comentarista político e conheceu o mundo todo como correspondente da National Geographic. E foi justamente esse conhecimento político e de mundo possibilitou que ele escrevesse uma obra que tratasse as religiões pelos âmbitos político e sociológico - o que fez com maestria.


Os quatro cavaleiros do ateísmo, da esquerda para a direita: Richard Dawkins, Sam Harris, Daniel Dennet e Christopher Hitchens.

O livro é dividido nos seguintes capítulos:

1 - Colocando gentilmente: Hitchens fala, aqui, sobre o que os ateus buscam como conhecimento e sobre a importância dos questionamentos.

2 - Religião mata: o autor demonstra, através de fatos políticos e históricos, o quanto a religião é genocida, o quanto dá pouco valor à vida humana em detrimento de disputas dogmáticas e regras/leis/mandamentos ultrapassados e desumanos.

3 - Uma pequena digressão sobre o porco, ou, por que o céu odeia presunto?: trata-se de uma análise sobre o porquê da repulsa de algumas religiões em relação ao porco e sobre a raiz antropomórfica disso.

4 - Uma nota sobre a saúde, para a qual a religião pode ser perigosa: sobre o absurdo da proibição da Igreja Católica em relação ao uso de preservativos e sobre quantas pessoas morrem todos os anos devido a essa regra ultrapassada e irresponsável.

5 - As afirmações metafísicas da religião são falsas: trata da impossibilidade de conciliar Ciência e Religião, algo que alguns religiosos insistem em afirmar que é possível - e necessário.

6 - Argumentos sobre design: análise sobre o fracasso dos religiosos em explicar o 'design inteligente' e seu desespero ante à respostas que a Ciência deu - e nos dá.

7 - Apocalipse: o pesadelo do "Antigo" Testamento: Hitchens aborda a crueldade do deus do Antigo Testamento e dos absurdos que estão escritos ali, tais como apologia ao estupro, escravidão, genocídio, infanticídio, misoginia, racismo, dentre inúmeros outros.

8 - O "Novo" Testamento excede o mal do "Velho": análise sobre os ensinamentos absurdos de Jesus e sobre um mal muito maior que foi enraigado na sociedade através deles.

9 - O Corão é uma cópia de mitos judaicos e cristãos: sobre a falta de criatividade do Islamismo e seus absurdos copiados.

10 - O enfeite barato do milagroso e o declínio do Inferno: um dos capítulos mais interessantes do livros, aqui Hitchens fala sobre a construção do mito de Madre Teresa de Calcutá e mostra a verdadeira face da 'beata'.

11 - "O Selo humilde de sua origem" - o começo corrupto da Religião: 
fala sobre o quanto as religiões estão preocupadas com as riquezas terrestres.

12 - Um epílogo: como a religião acaba: 
sobre a efemeridade das religiões organizadas e sua data de validade.

13 - A Religião faz as pessoas comportarem-se melhor?: outro capítulo muito interessante, que trata sobre o mito de que a religião melhora o caráter e ações das pessoas.

14 - Não há solução "oriental": 
outro capítulo muito interessante, que trata sobre o mito de que a religião melhora o caráter e ações das pessoas.

15 - Religião como um pecado original: sobre a imoralidade presente nos preceitos originais das religiões.

16 - Seria a religião abuso de menores: um capítulo que trata sobre esse criem ediondo que tem sido praticado com o consentimento de líderes e figurões religiosos e acobertado, em nome de uma falsa imagem de santidade, em detrimento ao sofrimento e destruição de inúmeras crianças ao redor do globo e ao longo de centenas de anos.

17 - Uma objeção antecipada: o último argumento contra o secularismo.

18 - Uma tradição melhor: a resistência do racional.

19 - Conclusão: a necessidade de uma nova iluminação.


Considero uma obra necessária para ateus, agnósticos, céticos e religiosos - por que não? - de mente aberta e que não aceitam as imposições e argumentos falhos da religião em assuntos demasiado importantes para a sociedade. Hitchens não "pega leve" com suas frases bem fundamentadas e não faz questão de ser politicamente correto. E é isso o que torna esse livro tão interessante. Recomendo!


Nota:

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Uma excelente leitura!