domingo, 30 de agosto de 2015

Resenha: Os 300 de Esparta, Frank Miller & Lynn Varley, Devir (Dark Horse)

País de Origem: EUA
Ano de Publicação: 1998
Ano da edição brasileira atual: 2006
Tradução: Marquito Maia & Kleber de Sousa
Nº de páginas: 88
Edições Incluídas: #1 – Honra; #2 – Dever; #3 – Glória; #4 – Combate; #5 – Vitória.

Sinopse: No ano de 480 a.C., o império persa comandado por Khchayarcha reúne o maior exercito já organizado até então para executar a homérica missão de conquistar todos os povos gregos.

Para tentar conter a terrível investida persa, as cidades gregas de Atenas, Egina, Eubéia e Esparta preparam seus exércitos para uma batalha no desfiladeiro das Termópilas, onde enfrentarão um inimigo infinitamente maior do que qualquer outro que já tenham visto antes.

Leônidas, rei de Esparta, conta apenas com seus 300 soldados da guarda especial, e terá que organizar toda a defesa dos povos gregos contra seus terríveis inimigos.
Honra, dever, glória, combate e vitória em cinco emocionantes capítulos. O consagrado mestre dos quadrinhos Frank Miller conta uma aventura real de coragem, na qual homens incríveis encaram o maior desafio de suas vidas e ultrapassam as barreiras da existência para entrarem para a História.



MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA


Este é um trabalho autoral e, de certa forma, mais recente de Frank Miller, roteirista consagrado e autor de clássicos como ‘Batman – O cavaleiro das trevas’ (que serviu de inspiração para o aguardando lançamento cinematográfico da DC de 2016, ‘Batman Vs Superman’), ‘Demolidor – O homem sem medo’, ‘Demolidor  - A queda de Murdock’, dentre outros. Nesta HQ, Miller reconta a ‘Batalha das Termópilas’ com foco no exército de 300 homens liderado pelo rei de Esparta, Leônidas I.


“A Batalha das Termópilas foi travada no contexto da Segunda Guerra Médica entre uma aliança de polis gregas lideradas pelo Rei Leônidas de Esparta e o Império persa de Xerxes I. A batalha durou três dias e se desenrolou no desfiladeiro das Termópilas ('Portões Quentes') em agosto ou setembro de 480 a.C. Ao mesmo tempo ocorreu a Batalha de Artemísio.
A invasão persa foi uma resposta tardia à Primeira Guerra Médica, que havia terminado com a vitória de Atenas na Batalha de Maratona. Xerxes reuniu um vasto exército e uma marinha para conquistar toda a Grécia e, em resposta à iminente invasão, o general ateniense Temístocles propôs que os aliados gregos bloqueassem o avanço do exército persa no desfiladeiro das Termópilas, enquanto bloqueavam o avanço da marinha persa no estreito de Artemísio.
Um exército aliado formado por aproximadamente 7000 homens marchou ao norte para bloquear a passagem no verão de 480 a.C. O exército persa, que, segundo estimativas modernas seria composto por 300 000 homens, chegou a passagem no final de agosto ou início de setembro. Em um número bem menor, os gregos detiveram o avanço persa durante sete dias no total (incluindo três de batalha). Durante dois dias repletos de batalha uma pequena força liderada pelo Rei Leônidas I de Esparta bloqueou a única maneira que o imenso exército persa poderia usar para entrar na Grécia. Após o segundo dia de batalha, um residente local chamado Efialtes traiu os gregos, mostrando aos invasores um pequeno caminho que podiam utilizar para acessar a parte traseira das linhas gregas. Sabendo que suas linhas seriam ultrapassadas, Leônidas descartou a maior parte do exército grego, permanecendo para proteger a sua retirada, juntamente com 300 espartanos, 700 téspios, 400 tebanos e talvez algumas centenas de soldados, porém a maioria dos quais morreram em batalha”.
[...] Quanto ao sacrifício dos Espartanos, tal deve ser entendido no quadro da sua própria mentalidade – como foi dito, estavam vocacionados desde a mais tenra infância para a vida militar, de tal forma que, muito provavelmente, a perspectiva de serem chacinados em combate não os terá perturbado minimamente (ainda que, não obstante, Heródoto documente dois casos de deserções entre os Espartanos).
[...] As Termópilas constituem o exemplo, em termos de estratégia militar, de como um pequeno grupo de soldados bem treinados pode ter, em circunstâncias de desigualdade numérica, um grande impacto sobre um número de inimigos muito maior; contudo, esta estratégia só é eficaz num terreno desfavorável ao inimigo (campo fechado), pois, como foi dito, se a batalha tivesse sido travada numa planície, facilmente os Gregos sairiam derrotados”.
Fonte

Para escrever o roteiro do quadrinho, Miller pesquisou nas fontes históricas disponíveis. A principal delas é do historiador grego Heródoto, chamado de ‘Pai da História’, por ter sido o primeiro a se preocupar em escrever relatos fidedignos historicamente, além de detalhados. Em ‘Os 300 de Esparta’, Miller conta como a guarda pessoal de Leônidas, composta por apenas 300 homens, marcharam para o campo de batalha mesmo sabendo da imensa superioridade numérica do inimigo. Como diz acima, os espartanos eram criados desde pequenos para se tornarem grandes guerreiros e não temerem nada. Para eles, morrer em batalha era a maior das honras. E Miller passa muito bem essa ideia para o leitor.

Em poucas páginas o autor conseque construir personagens complexos e apresentar, com maestria, a cultura e os valores espartanos, dar uma pequena aula de história – considerando, é claro, que o autor utilizou-se da licença poética para mudar algumas coisas, como por exemplo a noção de de um ‘Estado Grego’, que segundo os historiadores era algo improvável de existir naquele tempo.

A leitura é uma grande experiência, mesmo para nós que já conhecemos a história que foi adaptada em 2006 para as telonas, pelo diretor Zack Snyder (‘Watchmen’, ‘O homem de aço’, ‘Batman Vs Superman’). É interessante ver que Snyder utilizou cenas e diálogos – além da caracterização do rei Leônidas – idênticas às do quadrinho.


DESENHOS


O próprio Frank Miller é quem faz a arte da HQ que está nada menos que fenomenal. Os enquadramentos, o traço que combina muito bem com o ambiente sangrento de uma guerra e com a virilidade que emana no ar entre os espartanos são o casamento perfeito com o roteiro. A colorização de Lynn Varley é tão boa que, por si só, já valeria a leitura da graphic novel. Os tons de vermelho e laranja que ele utiliza passa para o leitor todo o tom desolador e ao mesmo tempo vibrante, que é estar em uma segunda que já se sabe estar perdida, mas sem perceber a coragem jamais.






VEREDITO


Uma HQ sensacional que vale o investimento de tempo e dinheiro. Li a versão física (em formato especial e horizontal, bem maior que o formato americano), um álbum de luxo muito bem acabado pela Devir e que, certamente, contribui para a experiência e valoriza a arte de Miller.

Leitura imperdível!

Nota:
5/5