sexta-feira, 5 de junho de 2015

Dossiê: Marjane Satrapi, uma dama nos quadrinhos


 Dados Pessoais


Marjane Satrapi é uma escritora, desenhista, ilustradora, roteirista e diretora de cinema iraniana, nascida em 22 de novembro de 1969 na cidade de Rasht, formada em Comunicação Visual pela Faculdade de Belas Artes da Universidade Islâmica Azad, Teerã, e radicada na França.

Resumo da carreira de escritor

Satrapi estudou no liceu francês em Teerã, onde passou sua infância, e teve uma educação que combinou a tradição da cultura persa com valores ocidentais e de esquerda. Além disso, seus pais eram intelectuais que ensinaram à autora a pensar por si mesma, gostar de livros e a amar a liberdade de expressão. No entanto, com o começo do regime do aiatolá Khomeini no Irã em 1980 Satrapi, então com 11 anos, se viu obrigada a colocar um véu na cabeça para ir à escola. O colégio em que estudava, que antes permitia que meninos e meninas assistissem às aulas juntos, teve de separá-los. Além disso, a morte de parentes, amigos e as diversas injustiças que passou a presenciar em seu país, e sua postura de desafio frente às autoridades e às regras impostas fez com que seus pais decidissem mandá-la para a Áustria e lá continuar sua educação nos moldes ocidentais. Nos anos de exílio, em Viena, ela sofreu com o preconceito contra seu país. “Na época, o Irã era o mal, e ser iraniana era um peso”, escreveu.

Voltou para o Irã aos 18 anos e teve que se controlar para aceitar as absurdas regras impostas pelo regime. Estudando Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes de Teerã encontrou gente que pensava como ela e assim pôde ter uma juventude relativamente normal. Aos 24 anos voltou para a Europa, pois se sentiu incapaz de se habituar novamente ao Irã. Radicou-se em Paris, trabalhando como artista plástica. Em 2000 começou a publicar ‘Persepolis’, uma série de quatro livros de história em quadrinhos, autobiográficos, narrando desde a sua infância, a história, os costumes, as relações familiares e sociais no Irã no período de 1978 até os anos 90. Além da história de seu país, nos conta histórias que muitas crianças e jovens viveram nos anos 80 e 90, com toda a busca por liberdade e os gostos culturais desta época.

‘Persepolis’ foi um grande sucesso, vendendo centenas de milhares de exemplares na França, tendo sido traduzido em mais de 20 idiomas. Ganhou uma animação em 2007 dirigida pela própria Marjane e por Vincent Paronnaud, cuja estreia foi no Festival de Cannes de 2007, onde recebeu o prêmio do júri. Persepolis foi escolhido pelo governo francês para representar o país na disputa ao Oscar de 2008 na categoria melhor filme estrangeiro e, apesar de não ter sido indicado na categoria, foi um dos três indicados ao prêmio de melhor filme de animação, mas acabou perdendo para ‘Ratatouille’. Lançou outras obras depois de Persepolis, sendo consagrada como uma grande quadrinista.



Obras publicadas no Brasil


Título: Persepolis
Gênero: HQ
Ano de Publicação: em 2000 a 2003 na França e em 2007 no Brasil
Páginas: 352
Tradução: Paulo Werneck
Edições/Editoras no Brasil: Quadrinhos na Cia.










Gênero: HQ
Ano de Publicação: em 2004 na França e em 2008 no Brasil
Páginas: 88
Tradução: Paulo Werneck
Edições/Editoras no Brasil: Quadrinhos na Cia.









Título: Bordados
Gênero: HQ
Ano de Publicação: em 2003 na França e em 2010 no Brasil
Páginas: 136
Tradução: Paulo Werneck
Edições/Editoras no Brasil: Quadrinhos na Cia.







Por que seus livros merecem ser lidos?

Marjane Satrapi domina a arte da narrativa gráfica. Suas histórias, que são autobiográficas, nos conduzem para outra cultura, outros tempos e nos permitem entrar e descobrir a mente da autora e dos demais personagens de suas graphic novels. Seu traço, cheio de estilo e de personalidade, é simples, porém expressivo, e casa perfeitamente com o ritmo de seus roteiros. Nesses tempos de pós-Primavera Árabe e em que tanto se fala sobre terrorismo, Estado Islâmico e sobre o próprio Irã e seu malquisto programa nuclear, ler ‘Persepolis’ é descobrir alguns episódios da história árabe e do Irã e também descobrir que todos nós, não importa quão diferentes cultural e religiosamente somos, lá no fundo temos os mesmos anseios, preocupações, sonhos e medos.

Ler a obra da autora também é descobrir o quão rico é o universo dos quadrinhos e quantas infinitas possibilidades de linguagens e comunicação ele possui. Quem só consegue pensar em super-heróis quando se lembra de HQs terá seus horizontes expandidos ao entrar em contato com o tipo de graphic novel que Satrapi produz. Quem não lê quadrinhos corre o grande risco de se apaixonar pela 9ª arte. A iraniana sabe bem o que faz.


Fontes das Informações: