quinta-feira, 21 de maio de 2015

Resenha: Bordados, Marjane Satrapi, Quadrinhos na Cia.

País de Origem: França
Ano de Origem: 2003
Ano da edição brasileira atual: 2010
Tradução: Paulo Werneck
Nº de páginas: 136

Sinopse: Os almoços de família na casa da avó de Marjane Satrapi, em Teerã, terminavam sempre com o mesmo ritual: enquanto os homens iam fazer a sesta, as mulheres lavavam a louça. Logo depois começava uma sessão cujo acesso só era permitido a elas - o "bordado", tema deste que é o terceiro livro de Satrapi publicado pela Companhia das Letras. Os leitores de Persépolis reconhecerão aqui as marcas registradas da autora: o humor cortante, o traço simples em preto e branco, o feminismo mordaz, jamais patrulheiro.

O "bordado" iraniano seria equivalente ao brasileiríssimo "tricô", não fosse uma acepção bastante particular: a expressão designa também a cirurgia de reconstituição do hímen, uma decisão pragmática para as mulheres que não abrem mão de ter vida sexual antes do casamento mas sabem que precisam corresponder às expectativas das forças moralistas do país. 

O grupo que se reúne na casa da avó de Marjane, a mesma que conhecemos em Persépolis, é uma amostra de mulheres com moral e experiência bastante variadas, mas sempre às voltas com o machismo e a tradição, sobretudo depois da Revolução Islâmica (1979). Casamentos malfadados, virgindades roubadas, adultérios, frustrações, golpes e autoenganos, narrados com a ironia tão peculiar à autora, mostram que no Irã amar e desamar pode ser ainda mais complicado do que podemos supor.



MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA

A iraniana Marjane Satrapi, autora das excelentes graphic novels ‘Persépolis’ e ‘Frango com ameixas’, realmente não decepciona. Completei a leitura de tudo o que saiu da autora aqui no Brasil (foram apenas três obras) e só tenho elogios e mais elogios a tecer sobre sua incrível capacidade narrativa e sobre seus desenhos simples, estilizados e extremamente expressivos.

‘Bordados’ é um quadrinho curto (li em cerca de 1 hora, e com calma) e muito simples. Mas seu pequeno tamanho e simplicidade não diminuem seu valor como obra. É muito interessante ver como as mulheres iranianas, apesar das profundas diferenças culturais se as compararmos conosco, possuem muitas das nossas angústias e preocupações no que se refere à vida amorosa. Imagino que tenha sido uma das intenções de Satrapi, ao fazer essa HQ, mostrar às mulheres – e homens – ao redor do mundo que, não importa de que lugar você venha, as grandes questões da existência ou mesmo do dia-a-dia são basicamente as mesmas.

A história se passa em uma reunião informal na casa da avó de Satrapi, que é costume no Irã: as mulheres se reúnem após o almoço para conversar, geralmente sobre suas vidas amorosas. O papo vai desde a vida sexual umas das outras até questões sentimentais. Dei boas gargalhadas, me identifiquei e simpatizei com aquelas mulheres. E o mais bacana de tudo é que aquelas personagens existem de verdade, afinal é um relato autobiográfico – como as outras obras da autora.

DESENHOS

Gosto demais do traço de Satrapi. Como eu mencionei acima, é limpo, simples, mas muito expressivo. A expressão corporal e facial das personagens é impactante e ao mesmo tempo sutil, como deve ser.

 


VEREDITO

‘Bordados’ é uma obra de muita qualidade, como tudo o que a Satrapi faz. Para quem é fã da autora, como eu, é leitura indispensável. Também recomendo para aqueles que já HQs e querem sair daquele eixo Marvel-DC. Ler algo diferente, principalmente quando se trata de culturas diferentes, é sempre muito bom. Mas a minha principal indicação é para aqueles que nunca leram um quadrinho na vida (ou só leram ‘Turma da Mônica’ na infância). Esta é uma oportunidade de adentrar esse mundo apreciando um material super bacana.

Recomendada!

5/5