domingo, 10 de maio de 2015

Resenha: Hellblazer Infernal Vol.1 - Hábitos Perigosos, Garth Ennis & William Simpson, Panini Comics (Vertigo)

País de Origem: EUA
Ano de Origem: 1993
Ano da edição brasileira atual: 2014
Tradução: Guilherme da Silva Fraga
Nº de páginas: 212
Coleção: Hellblazer Infernal


Sinopse: Depois de sobreviver a confrontos com demônios, elementais, membros de seitas e assassinos em série, John Constantine finalmente encontrou um inimigo do qual não consegue fugir e a quem não consegue enganar: o próprio corpo.

Décadas de fumo cobraram o preço inevitável e os pulmões torturados de John sucumbiram à malignidade. O diagnóstico é claro e inescapável: terminal, câncer não tratável. O maior mago do mundo tem, no máximo, mais dois meses de vida antes que seu corpo ceda. E ele sabe exatamente o que vai acontecer quando chegar a hora. O governante do Inferno tem planos muito especiais para a alma de Constantine… e a eternidade pode não ser tempo suficiente para que ele consiga infligir todo o tormento que pretende.





MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA

Esse encadernado traz as primeiras edições de Hellblazer com roteiro de Garth Ennis, o mesmo autor de Preacher. Ennis começou a escrever as histórias de John Constantine em 1993 e Preacher em 1995. Após os sete volumes da origem do anti-herói inglês (que abarcam as edições 1 a 40, e cuja resenha do primeiro volume você pode ler aqui) começou aquele que, possivelmente, é o melhor e mais famoso arco de Constantine, o ‘Hábitos Perigosos’. Li essa obra em uma tacada só e fiquei abobalhada. Parece até que estou me repetindo nas minhas resenhas, mas é que este ano estou lendo só coisa boa. Digamos que estou escolhendo a dedo minhas leituras. No fim do ano fazer a lista de melhores leituras vai ser um “parto”.

São inúmeros os elementos que eu amo nas histórias do John Constantine, mas as três principais são sua face incrivelmente humana, o sarcasmo do personagem e a forma com que o terror nos é apresentado, às vezes com sutileza. Pois este arco transborda tudo isso. Aqui o mago inglês não está enfrentando as hostes do inferno e criaturas semelhantes. O seu grande inimigo é o câncer. E foi simplesmente assustador e, ao mesmo tempo, incrível ver o terror, o sofrimento e o medo da morte que John enfrenta ao saber que seus dias estavam contados. O sofrimento físico e as lembranças que voltam de tempos outrora felizes, inclusive quando ele remói os arrependimentos de sua vida, fazem com que esta seja uma história – em detrimento de se tratar sobre um mago em um universo cheio de magia – bastante realista e humana.

Todos os personagens são espetaculares. Os velhos amigos de John, o novo amigo que ele faz na ala de doentes com câncer do hospital e o próprio diabo não chegam a ofuscar o protagonista, mas não ficam devendo nada a ele. O ritmo da história é calmo, por um lado, mas denso por outro, com a introdução de ação nos momentos certos. Garth Ennis mostra aqui sua magistral capacidade narrativa que viria a fazer dele um dos grandes nomes da 9ª arte, anos depois com o lançamento de Preacher.

DESENHOS:

O traço de William Simpson é muito sujo e disforme em alguns momentos. Confesso que não morri de amores por ele. Mas, de alguma forma, em alguns momentos em que Constantine parece ter mergulhado no lamaçal, o traço combina com a situação.

 




VEREDITO

Uma obra fabulosa e indispensável para os fãs de Hellblazer. Mesmo para aqueles que não o são, mas apenas são amantes da 9ª arte, “Hábitos Perigosos” é obrigatória na lista de leituras.

Recomendadíssima!

5/5