terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Resenha: Crime e Castigo, Fiódor Dostoiévski, Editora 34

País de Origem: Rússia
Ano da publicação no país de origem: em 1866
Ano da publicação no Brasil: em 2001 (1ª edição)
Tradução: Paulo Bezerra
Nº de páginas: 568
Coleção: Coleção Leste

Sinopse: Publicado em 1866, Crime e Castigo é a obra mais célebre de Fiódor Dostoiévski. Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petesburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria: grandes homens, como César e Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para preservar sua dignidade contra as várias formas da tirania.

Fonte: http://www.skoob.com.br/livros/crime-e-castigo/219ed311


MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA

Na verdade esta foi uma releitura de Crime e Castigo. A primeira vez que o li foi na minha adolescência, e foi uma daquelas leituras de formação que marcam a gente para sempre. Na época fiquei absolutamente encantada e afetada pela obra. Uma grande experiência. Nesta releitura, após tantos anos, o efeito da escrita de Dostoiévski e da história de Raskólnikov sobre mim não foram diferentes. Na verdade posso afirmar que foi uma leitura muito mais proveitosa, sendo agora já adulta.

“- Assim mesmo, ora – riu Raskólnikov -, isso não é culpa minha. Assim é e será para sempre. Veja ele (fez sinal para Razumíkhin), acabou de dizer que eu consinto no derramamento de sangue. Mas qual é o problema? Porque a sociedade está excessivamente provida de pontos de confinamento, cadeias, juízes de instrução, trabalhos forçados – logo, por que essa preocupação? É só procurar o ladrão!... - Bem, e se o encontramos? - Para lá é o destino dele. - Aí o senhor está sendo lógico. Pois bem, e quanto à consciência? - E o que o senhor tem a ver com ela? - Quanto mais não seja, por uma questão de humanidade. - Quem a tem que sofra, caso reconheça o erro. Esse é o seu castigo – além dos trabalhos forçados”.

É com esse diálogo que Dostoiévski deixa claro qual é o castigo para o crime de seu protagonista Raskólnikov: a culpa consumidora, a desolação de uma consciência “pesada”. E Crime e Castigo é - muito mais do que um romance detetivesco - o relato da saga moral do estudante pobre e brilhante Raskólnikov após assassinar, movido por sua teoria do ‘homem extraordinário’, uma velha usurária e sua irmã.

Esta obra é considerada uma leitura “pesada”, difícil, densa – o que não é necessariamente ruim. Essas características advêm da brilhante capacidade do autor em fazer o leitor entrar na mente de Raskólnikov e pensar o que ele pensa, sofrer o que sofre, ter os mesmos dilemas morais que ele. Aliás, que grande personagem ele é!

A história da obra é atemporal e por isso continua sendo lida e discutida com afinco por amantes da Literatura ao redor do globo. 

VEREDITO

Crime e Castigo existe para provar que clássicos não são necessariamente livros chatos, e que são considerados obras-primas por boas razões. Além de ter uma história fantástica é o tipo de obra cuja leitura melhora nosso vocabulário, nossa visão de mundo e nosso gosto literário. Afinal de contas, um livro tão brilhante e que é ao mesmo tempo gostoso de ler expõe a farsa de muitos autores e livros best-sellers que são rasos e descartáveis em um mar de obras disponíveis. Mas Dostoiévski, meu amigo, é absolutamente INDISPENSÁVEL. 

5/5