domingo, 1 de fevereiro de 2015

Especial Literatura Ateísta - I


Em uma série de posts vou reunir os melhores livros que tratam sobre ateísmo, ceticismo, agnosticismo, biologia evolutiva e afins para aqueles que, como eu, são ateus, ou que apenas se interessam pelo assunto. Inclusive algumas das obras são obrigatórias na estante de qualquer leitor, como é o caso de "A origem das espécies", de Charles Darwin, um dos maiores clássicos de todos os tempos da Literatura Científica. 



1 - Por que não sou cristão - Bertrand Russel

SinopsePor que não sou cristão é considerado um dos mais blasfemos documentos filosóficos jamais escritos. Se a religião fornece respostas às perguntas que sempre atormentaram a humanidade – por que estamos aqui, qual a razão da vida, como devemos nos comportar –, Russell dissipa esse conforto, deixando-nos com alternativas mais perturbadoras: responsabilidade, autonomia e consciência do que fazemos. Normalmente citado junto ao Cândido de Voltaire, à Idade da Razão, de Thomas Paine, A última tentação de Cristo, de Martin Scorsese, e A vida de Brian, do Monty Python, Por que não sou cristão, apesar do tom bem-humorado, coloca ao leitor questões que nunca mais poderão ser ignoradas.

Breve Comentário: Bertrand Russel foi um dos mais influentes filósofos, matemáticos e lógicos que viveram no século XX, tendo sido laureado com o Nobel de Matemática em 1950, dentre outras honrarias científicas. Foi também um grande expositor da Ciência e da Filosofia e um escritor prolífico. Na Wikipedia encontramos o seu decálogo com um código de conduta liberal a ser seguido por aqueles que desejam manter uma mente livre e um espírito questionador:

  1. Não tenhas certeza absoluta de nada.
  2. Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.
  3. Nunca tentes desencorajar o pensamento, pois com certeza tu terás sucesso.
  4. Quando encontrares oposição, mesmo que seja de teu cônjuge ou de tuas crianças, esforça-te para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória que dependente da autoridade é irreal e ilusória.
  5. Não tenhas respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.
  6. Não uses o poder para suprimir opiniões que consideres perniciosas, pois as opiniões irão suprimir-te.
  7. Não tenhas medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.
  8. Encontra mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se valorizas a inteligência como deverias, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.
  9. Sê escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.
  10. Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.

Portanto Por que não sou cristão nada mais é do que a exposição de um gênio - que tinha ideias muitas vezes à frente de seu tempo (era a favor do sufrágio feminino e do sexo antes do casamento, isso no começo do século XX) - sobre suas razões para ser ateu. Certamente é obra obrigatória para todos os que se interessam pelo assunto.



2 - Deus, um delírio - Richard Dawkins

Sinopse: Num tempo de guerras e ataques terroristas com motivações religiosas, o movimento pró-ateísmo ganha força no mundo todo. E seu líder intelectual é o respeitado biólogo Richard Dawkins, eleito um dos três intelectuais mais importantes do mundo (junto com Umberto Eco e Noam Chomsky) pela revista inglesa Prospect. Autor de vários clássicos nas áreas de ciência e filosofia, ele sempre atestou a irracionalidade de acreditar em Deus e os terríveis danos que a crença já causou à sociedade. Agora, neste Deus, um delírio, ele concentra exclusivamente no assunto seu intelecto afiado e mostra como a religião alimenta a guerra, fomenta o fanatismo e doutrina as crianças. 
O objetivo principal deste texto mordaz é provocar: provocar os religiosos convictos, mas principalmente provocar os que são religiosos "por inércia", levando-os a pensar racionalmente e trocar sua "crença" pelo "orgulho ateu" e pela ciência.
Dawkins despreza a idéia de que a religião mereça respeito especial, mesmo se moderada, e compara a educação religiosa de crianças ao abuso infantil. Para ele, falar de "criança católica" ou "criança muçulmana" é como falar de "criança neoliberal" - não faz sentido.
O biólogo usa seu conceito de memes (idéias que agem como os genes) e o darwinismo para propor explicações à tendência da humanidade de acreditar num ser superior. E desmonta um a um, com base na teoria das probabilidades, os argumentos que defendem a existência de Deus (ou Alá, ou qualquer tipo de ente sobrenatural), dedicando especial atenção ao "design inteligente", tentativa criacionista de harmonizar ciência e religião.Mas, se é agressivo para expressar sua indignação com o que considera um dos males mais preocupantes da atualidade, Dawkins refuta o negativismo. Ser ateu não é incompatível com bons princípios morais e com a apreciação da beleza do mundo. A própria palavra "Deus" ganha o seu aval na ressalva do "Deus einsteiniano", e o maravilhamento com o universo e com a vida, já manifestado em seus outros livros, encerra a argumentação numa nota de otimismo e esperança. 


Breve Comentário: Richard Dawkins é, certamente, dos expoentes da Ciência ainda vivos, um dos mais influentes, ao lado de Stephen Hawking - embora sejam de áreas diferentes, Biologia Evolutiva e Físicas das Partículas, respectivamente. É também um grande expositor do ateísmo mundo afora, tendo gerado algumas polêmicas ao longo do tempo e influenciado milhões de neo-ateus em todo o mundo. Um grande crítico do criacionismo e defensor incansável da Teoria da Evolução, é etólogo e biólogo evolutivo, tendo uma cadeira na Universidade de Oxford. Enfim, o cara é brilhante e muito influente, e Deus, um delírio é uma das obras da Literatura Ateísta mais lidas, comentadas e discutidas. Basta um tour pelos sites ateus e cristãos que você também chegará a essa conclusão. Esta é outra obra essencial para a bagagem de qualquer ateu, agnóstico ou entusiasta do assunto.



3 - Carta a uma nação cristã - Sam Harris

SinopsePoucos anos atrás, seria um ato de enorme coragem declarar-se ateu e afirmar que as crenças religiosas não passam de ilusões infantis, um falso conforto contra a dura realidade do sofrimento e da morte. Mais que isso - afirmar que as religiões são maléficas e estão colocando em risco a civilização e a sobrevivência da humanidade.
Sam Harris parte bravamente para o ataque. Sem meias palavras, argumenta contra o suposto bem que as religiões exercem sobre o ser humano, contra a existência de um Deus onipotente e misericordioso, e contra o "Design Inteligente", novo nome dado ao criacionismo pelos conservadores religiosos. 
Simples e bem escrito, o livro conquistou o grande público e ganhou também muitos inimigos. E não poderia deixar de ser - com uma lógica certeira, Sam Harris faz o que poucos têm a coragem de fazer: afirma que todas as religiões são irracionais, e que os devotos religiosos são um perigo para o futuro da ciência e para a sobrevivência da humanidade.
Se você também está preocupado com o excesso de influência da religião na sociedade leiga, se é uma pessoa religiosa mas tem dúvidas quanto à verdade literal da Bíblia, ou se, simplesmente, aprecia o debate racional e uma argumentação bem apresentada, leia este livro. Seu modo de pensar nunca mais será o mesmo.


Breve Comentário: Sam Harris é um escritor, filósofo e neurocientista norte-americano. É graduado em Filosofia pela Universidade de Stanford e obteve seu doutorado na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, utilizando imagens de ressonância magnética para conduzir pesquisas sobre a base neurológica das crenças, descrenças e incertezas. O seu livro Carta a uma nação cristã chamou a atenção de ateus e cristãos ao redor do mundo e recebeu muitas críticas mas também muitos elogios. Apesar de curta, é uma obra cheia de bons argumentos e que, no mínimo, deve induzir qualquer um à reflexão. Merece ser lido!



No próximo post, mais três obras imperdíveis para a sua biblioteca. Até lá planejo ler/reler estas obras e resenhá-las aqui. Boa leitura!