segunda-feira, 16 de junho de 2014

Resenha: Batman – Ano Um, Frank Miller & David Mazzucchelli, Panini Books

“Em 1986, o quadro editorial da DC decidiu que seus heróis, alguns dos quais com quase meio século de idade, haviam se tornado datados. A ordem era uma maciça reforma, e o ponto inicial seriam os três mais populares e importantes personagens: Superman, Mulher-Maravilha e Batman. Os escritores e artistas designados para a tarefa tinham ideias claras e fortes como atualizar Superman e Mulher-Maravilha, mas Batman era um problema. Ele era perfeito como estava. A origem que Bob Kane e Bill Finger tinham criado, em 1939, era uma perfeita explanação de como e por que Batman veio a existir, por que ele continuou sua obsessiva cruzada, e talvez, o mais importante, como o herói refletiu medos, frustrações e esperanças de um público leitor que lutava com as realidades da vida urbana do século vinte.
Assim, os editores da DC decidiram que a origem de Batman não seria alterada. Mas deveria ser refinada. Ela poderia receber uma dose de profundidade, complexidade, um contexto mais amplo. E também detalhes para acrescentar mais foco e credibilidade. O empenho de Bruce Wayne para se tornar a criatura Batman poderia ser melhor dramatizado. E, finalmente, todas as técnicas narrativas que os criadores de HQs haviam desenvolvido nos últimos 50 anos poderiam ser usadas para concretizar todo o potencial do material básico. A pergunta, então, era: quem faria tudo isso?”. – Introdução a Batman, Ano Um, Denny O’neil, Março de 1988
Fonte: http://www.hqbr.com.br/hqs/Batman%20%E2%80%93%20Ano%20Um/capitulo/1/leitor/0#6
A resposta: Frank Miller. Uma lenda dos quadrinhos, que antes de escrever “Batman – Ano Um”, criou as HQs geniais “Ronin” (que recentemente estreou nas telonas com o nome de “47 Ronin”) e “Batman – O cavaleiro das trevas”, que foi uma das inspirações para Christopher Nolan criar a brilhante trilogia do Batman nos cinemas. Frank Miller é o tipo de cara que não deixa espaço a meios termos: ou você o ama, ou o odeia. Mas é incontestável o fato de que ele foi um divisor de águas na história do Batman.
Sinopse: Em 1986, Frank Miller e David Mazzucchelli produziram esta revolucionária reinterpretação da origem do Batman – sobre quem ele é e como se tornou o que é.Escrito pouco após BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS, a distópica fábula de Miller sobre os últimos dias do Homem-Morcego, ANO UM abriu caminho para uma nova visão de um lendário personagem.Esta edição inclui a história na íntegra, uma introdução pelo escritor Frank Miller e um posfácio ilustrado pelo artista David Mazzucchelli. Inclui também mais de 40 páginas de estudos de personagem, páginas do roteiro original, esboços e fornece mais do que um vislumbre na criação desse clássico contemporâneo.
Fonte: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3655317/batman-ano-um/?PAC_ID=120813
O Batman que conhecemos hoje, nascido das profundezas da mente e do coração do garoto Bruce Wayne assim que ele viu seus pais serem assassinados, e que foi ganhando forma ao longo dos anos; que carrega consigo ideais muito maiores do que vingança – o que ele busca na verdade é a justiça (para os fracos) e punição (para os maus) em Gotham City – deve muito a Frank Miller. Miller deu ao Batman mais do que motivos, deu um enredo complexo, discussão filosófica, cívica, política. Essa HQ mostra muito mais do que o nascimento de um herói: podemos vislumbrar o nascimento do ideal que persegue o Batman, e, é claro, o Comissário Gordon, que mostra ser, a meu ver, o grande parceiro de Bruce Wayne em sua jornada.

A arte da HQ é linda, a começar pela capa icônica. David Mazzucchelli tem um traço simples, limpo, mas extremamente representativo. Sem muito esforço os personagens passam para o leitor quaisquer emoções – por mais vagas que sejam – que estejam sentindo. Realmente, o trabalho de Mazzucchelli é impressionante.




E o argumento de Miller é objetivo e cortante. Prende o leitor em sua órbita. Nessa HQ somos apresentados à história do Gordon, de simples investigador de polícia ao símbolo de justiça para Gotham; e ao que levou a Mulher-Gato a conhecer Bruce Wayne, quando ela era apenas Selina Kyle. Não é à toa que essa graphic novel é um clássico absoluto, não só na história do Batman, mas na história dos quadrinhos. Recomendo a todos, mesmo para aqueles que não são fãs do Batman. Ela é uma prova contundente de algo que eu disse recentemente aqui no blog: quadrinhos é coisa séria!

A edição está esgotada nas livrarias, mas você pode ler online no link abaixo e aguardar que a Panini nos brinde com uma reimpressão.


Nota: