sábado, 12 de julho de 2014

Resenha: A verdade sobre o caso Harry Quebert, Joel Dicker, Intrínseca


Esse livro foi a leitura mais aguardada por mim da leva de lançamentos literários do 1º semestre de 2014. "A verdade sobre o caso Harry Quebert" causou e está causando um verdadeiro estardalhaço no mercado editorial, e seu autor está recebendo muitas críticas positivas. Se o livro merece tudo isso? Não, não é para tanto. Não é uma obra de tirar o fôlego. Mas também não é uma obra ruim. Vejamos os porquês.

Sinopse: Aos vinte e oito anos Marcus Goldman viu sua vida se transformar radicalmente. Seu primeiro livro tornou-se um best-seller, ele virou uma celebridade e assinou um contrato milionário para um novo romance. E então foi acometido pela doença dos escritores. A poucos meses do prazo para a entrega do novo original, pressionado por seu editora e por seu agente, Marcus não consegue escrever nem uma linha.
Na tentativa de superar seu bloqueio criativo, Marcus decide passar uns dias com seu mentor, Harry Quebert, um dos escritores mais respeitados do país. É então que tudo muda. O corpo de uma jovem de quinze anos - desaparecida sem deixar rastros em 1975 - é encontrado enterrado no jardim de Harry, junto com o original do romance que o consagrou. Harry admite ter tido um caso com a garota e ter escrito o livro para ela, mas alega inocência no caso do assassinato. 
Com o intuito de ajudar Harry, Marcus começa uma investigação por contra própria. Uma teia de segredos emerge, mas a verdade só virá à tona depois de uma longa e complexa jornada.
Fonte: http://www.skoob.com.br/livro/384910 

Posso descrever esse livro como uma obra mediana, que prende a atenção até certo ponto, mas que escorrega em muitos clichês já amplamente usados em obras de escritores como Sidney Sheldon e outros best-sellers do gênero "thriller". E quando se lê críticas afirmando coisas sobre a obra de Joel Dicker, tais como "depois de A Verdade Sobre O Caso Harry Quebert, a literatura contemporânea nunca mais será a mesma" (Corriere Della Sera), como se houvesse uma espécie de vanguardismo aqui, algo tão novo e genial que mudará o rumo da literatura contemporânea, é claro que as expectativas vão às nuvens.

Exageros à parte dos críticos, Dicker sabe como trabalhar o suspense ao longo da estória. Até o fim é impossível dizer, com certeza, que é o assassino, quem realmente é Harry Quebert e se Marcus Goldman conseguirá seus dois grandes objetivos: ajudar o seu mentor, provando sua inocência, e escrever o seu segundo livro, após um grande bloqueio criativo. Se há algo que detesto na literatura e no cinema são os finais previsíveis. E este não é um livro com final previsível.

Em alguns momentos parece que Dicker está "enchendo linguiça", procurando assunto para preencher mais páginas. Mas só em alguns momentos. Muito do que está ali tem uma boa razão para estar, e o apego aos detalhes da trama - característica fundamental de um bom thriller - está arraigado nessa estória. 

Outro aspecto muito interessante, provavelmente o que mais gostei aqui, foi como o protagonista, Marcus Goldman, escritor best-seller, lida com o mercado editorial e como o mercado editorial lida com seus escritores e seus leitores. É interessante vermos que esse é só um negócio como qualquer outro e não há escrúpulos nele como gostaríamos que houvesse. A literatura há muito tempo deixou de ser arte para se tornar um negócio. Dicker expõe muito bem isso.

Concluindo, "A verdade sobre o caso Harry Quebert" é uma leitura muito agradável, interessa, mas não considero inesquecível. E muito menos um divisor de águas na literatura contemporânea. Também acredito que não seja o MELHOR lançamento do ano. Mas é, sim, um bom livro, a quem se deve dar uma chance.

Nota: